9 Histórias de Corredor: Fatos Curiosos e Engraçados das Corridas de Rua 4.88/5 (8)

Compartilhe

histórias de corredores: o corredor que perdeu as palmilhas

Ao ver a noticia da história do corredor queniano Eliud Kipchoge que “perdeu” as palmilhas dos tênis na maratona de Berlin acabei me lembrando de alguns fatos curiosos que eu já presenciei nestes mais de dez anos correndo.

Neste momento também fiz uma associação com as histórias dos pescadores e pensei:

  • Histórias como a do Eliud, que inclusive venceu a prova mesmo com as palmilhas para fora dos tênis, se contadas para alguém que não é do mundo das corridas podem parecer com uma boa história de pescador.

Aí veio a grande ideia, porque não escrever um post contado as minhas histórias de corredor?

Como não achei nenhuma objeção aqui estou eu escrevendo um artigo com histórias de corredores para pescador nenhum botar defeito.

Veja neste vídeo a curiosa cena das palmilhas

 

Entretanto, antes de entrar nas histórias propriamente ditas deixe-me dizer que o fato que aconteceu com o corredor queniano provavelmente não iria acontecer comigo.

Já que atualmente corro sem as palmilhas nos tênis.

E por que eu faço isto?

Corro sem as palmilhas para diminuir ao máximo o drop do tênis e facilitar a técnica correta de corrida (veja este artigo). E ao menos que eu encontre um tênis extremamente baixo vou continuar correndo assim.

Já venho correndo assim há algum tempo,  desde que comecei a procurar correr mais naturalmente e estava tentando manter uma cadência de passadas de no mínimo 180 passos por minuto.

Lembro que por um bom tempo, mesmo usando um tênis com drop bem baixo, só conseguia manter esta média de passadas quando corria descalço.

Usando o tênis até que conseguia de vez enjoando atingir o objetivo dos 180 passos, porém bastava perder a concentração que se ia tudo embora.

Então, um belo dia, depois de correr um trecho de um treino descalço no momento de recalçar o tênis  tive o insight (ideia, revelação) de remover as palmilhas.

Então comecei a correr e cabum:

  • consegui finalmente manter a média de passadas mesmo sem ficar me concentrando muito para isto.

Lembro que fui embora feliz da vida correndo com as palminhas na mão mesmo. kkkk

Desde então quando vou comprar um tênis novo uma das primeiras coisas que olho é se é a palmilha do calçado é removível.

Olha, até que deu uma historinha, em? Até que em fim as palmilhas serviram para alguma coisa. 🙂

Bom, agora chega de brincadeira e vamos às verdadeiras histórias de corredores.

1) Político “corredor”

histórias de corredores: o político corredorComo história inicial vem uma lá do inicio da minha carreira de corredor.

Lembro que foi logo depois de voltar do quartel, onde querendo ou não se corria todos os dias.

O fato ocorreu em um clube da minha cidade.

Estava bem tranquilo dando umas voltas na pista ao redor do campo e olhando o movimento de uns caras se preparando para um jogo na quadra de futebol de areia quando um deles entrou na pista e começou a correr do meu lado.

Era um antigo conhecido que nem me cumprimentava direito, mas naquele dia parecia um grande e velho amigo.

Estava achando meio estranho o papo (conversa) até que veio a revelação:

  • ele queria muito sem “nenhum interesse” me dizer que iria concorrer a vereador na próxima eleição e que claro contava com o meu apoio. 🙁

Na sequencia o candidato “corredor” me perguntou por quanto tempo eu ainda iria correr?

Respondi que não sabia que iria continuar até cansar.

Então ele deu mais alguns passos, falou mais alguma coisa e saiu da pista.  Ninguém merece. 🙁

Porém como o candidato estava um pouco acima do peso, mesmo não votando nele acho que o ajudei a perder um pesinho. 🙂

2) Entrando em apuros

O segundo causo (história) já é bem mais emocionante do que o anterior. E até hoje não entendi direito tudo o que aconteceu.

cego-corredorHá alguns anos atrás estava eu bem tranquilo fazendo uma rodagem, em uma estrada do interior da minha cidade, quando de longe avisto um senhor de cabelo branco indo na mesma direção que eu.

Quando estava bem próximo ao velhinho eis que surge um cachorro, e não era qualquer cão também de “cabelo” branco.

Não entendo muito de cachorros, mas acho que era um rottweiler ou pitbull.
Bom, aí não preciso dizer mais nada.

Levei um cagaço daqueles, parei na frente do cão por um minuto e retomei a correr pensando que o homem iria controlar bicho.
Entretanto foi justamente ao contrario o desgraçado veio atrás de mim, então me borrando mais ainda gritei para o homem chamar o cachorro e ele me disse para não correr, neste momento ao olhar para o homem veio a pior bomba.

  • O cidadão era cego! Tanto que estava até com uma vara de apoio.

Neste momento gelei mais ainda, um pouco corria, um pouco parava, o cego chamava o cachorro que também não sabia se me atacava ou atendia o dono.

O momento foi tenso. kkkk

Sei que fui indo me afastando aos pouco e finalmente consegui me livrar da dupla mais perigosa que já encontrei correndo.

O que eu não entendi até hoje é o que um velhinho cego e com um cachorro solto estava fazendo numa estrada de chão batido a mais de 4km da cidade. !?

3) Uma cena quente

Casal namorando na pista de corrida

Para relaxar um pouco o próximo fato curioso é sobre uma cena quente que ocorreu, por consciência ou não,  próximo ao do fato anterior.

Digo cena quente porque “peguei” no flagra um casal suando mais do que eu que estava correndo, e olha  que o lugar entrevero era no final de uma lomba das fortes.

Lembro que avistei um Uno vermelho e de cara já achei estranho aquele veículo ali (dizem que Uno não é um carro), porém mais curioso ainda foi quando me aproximei e vi uma cena digna dos melhores motéis. A mulher de bruços por cima no maior pique.

Lembro que o cara, deitado no banco, me olhou assustado e a garota empolgada acho que nem me viu ou não deu importância. Vai sabe…

E eu o que fiz?

Tentei ser o mais discreto possível e continuei o meu treino normalmente (ou quase). kkkk.

4) Servindo de muro

Correr contra o vento

Agora vamos deixar as estradinhas do interior um pouco de lado (sim tem mais histórias que ocorreram nelas) e vamos para um fato ocorrido me uma grande prova.

O fato ocorreu comigo em 2010 na Maratona de Porto Alegre (POA).

Você já deve ter visto em provas de ciclismo, corrida de moto ou carro que os competidores costumam usar o vaco dos corredores da frente para ganhar velocidade e ou descansar no caso do ciclismo, certo?

Pois lhe digo que isto também ocorre, menos frequentemente, em algumas corridas das nossas corridas.

E foi justamente o que ocorreu comigo por volta do km 20 na maratona.

Lembro naquele dia estava ventando bastante e logo após fazer o retorno na Av. Ipiranga  e pegar o vento de frente notei um cidadão correndo logo atrás de mim.

Como eu tenho 1,93 de altura o cidadão pediu se poderia correr um pouco ali como forma de se proteger do vento.

Neste momento me senti como um muro ou uma parede.

Só que não estava me sentindo muito confortável com isto.

Perguntei para o cara para quanto ele esta correndo, como era o mesmo que eu planejava pensei.

Puts, este loco não vai sair dai então aumentei um pouco o ritmo e felizmente logo ele ficou para trás.

Entretanto, por bem ou por mal, este cara acabou me ajudando a não diminuir o ritmo no momento do vento contra.

5) Tombos e Largada de lesma

Cair durante a corridaA próxima história de corredor não é assim algo muito estranho, empolgante ou curiosa, porém resolvi compartilhar aqui como uma forma de desabafo.

Neste ano (2015), após mais de 10 anos participando de provas aconteceu um fato inédito comigo: eu levei um tombo durante a competição.

Apesar de já ter tido algumas quedas nos treinos, por tonguice mesmo, em uma competição foi à primeira vez.

Claro que não gostei de cair, porém o que me deixou profundamente revoltado foi o que ocasionou a minha queda.

Peço que imagine a seguinte cena:

  • É dada a largada de mais uma corrida, você começa correr, vai se desvencilhando e desviando dos corredores mais lentos;
  • A medida que vai evoluindo os espaços vão surgindo e você começa a aumentar o ritmo, quando do nada, cruza na sua frente uma pessoa (não da nem para chamar de corredora) caminhando, sim caminhando;
  • Você tropeça nela, cai e derruba outra corredora que vinha logo depois de você.

Como você s sentiria? Como você reagiria?

Não sei quanto a você, mas eu saí bradando diversos elogios a esta pessoa, que além de atrapalhar a minha prova me deixou com um corte na mão, alguns estolões e uma dor na lateral da coxa.

como ter uma corrida perfeita sem lesões

E o pior é que a “loca” que ocasionou tudo isto nem caiu. 🙁

Felizmente, apesar do tombo, consegui continuar correndo e até que não fiz um tempo dos piores. Porém sempre vai ficar a duvida:

  • Será que se não tivessem me derrubado talvez seria melhor ainda?

De qualquer forma gostaria de pedir a todos os corredores que avaliem seu ritmo e busquem nas largadas uma posição que não vão atrapalhar os mais rápidos.

Se você for correr a prova em um  ritmo de 5, 6 minutos por km qual a diferença de largar uns metros mais atrás?

Sei que em provas com milhares de inscritos, como a São Silvestre ou outras grandes provas isto nem sempre é possível, porém a corrida em questão tinha pouca mais de 500 inscritos.

Me pergunto até hoje o que esta corredora, caminhando, fazia tão na frente na largada?

6) Brigando com os donos da casa

quero-quero na pista de atletismo

Imagem esp.uol.com.br

Depois do tombo e desabafo é hora de briga.

Sim meu amigo já briguei na corrida. E não foi somente uma vez.

Para conseguir treinar em uma pista de atletismo aqui da minha cidade tive que enfrentar os donos da casa algumas vezes.

Não sei de que região do país ou do mundo você é, porém acredito que você conheça um dos pássaros mais brabos dos Brasil.

Refiro-me aos temíveis quero-queros, muito comuns aqui no sul do Brasil.

Os quero-queros gostam de fazer suas casas e ninhos em terrenos abertos e como vegetação rasteira.

O que torna os campos de futebol e por consequência as pistas de atletismo uma ótima opção de moradia para eles.

Porém, o pior de tudo é que eles não gostam de visitas. E a sua forma de demonstrar isto não é na da agradável, muito pelo contrario, quem já levou algumas ferroadas deles sabe como é dolorido.

Felizmente e por sorte eu ainda não senti o tamanho da dor de seus golpes, porém tive que várias vezes me abaixar, jogar água  e até o boné para não ser atingido por um quero-quero em um voo rasante durante o seu ataque. kkk

Como em uma pista você fica dando voltas, já passei por situações onde a cada volta tinha que me cuidar com estes anfitriões.

Pior ainda do que invadir a casa deles é se você se aproximar dos seus ninhos ou filhotes, aí o bicho pega. Lembro que uma vez tive até que desistir do treino porque eles estavam muito brabos.

De qualquer forma o jeito é tentar conviver com eles e não deixar de fazer os treinos.

7) Treino intervalado com musculação

história do carro atolado

E aí amigo, o que acha de fazer musculação no mesmo dia de um treino intervalado?

Muito puxado! Também concordo, porém um dia durante um intervalado de tiros de 1.000 metros tive que fazer está combinação para ajudar duas gurias (meninas, garotas).

Certa vez em uma das estradas do interior em que eu costumo treinar, eu disse que tinham mais histórias nas estradinhas, quando estava no meio do primeiro dos 6 tiros de 1km eis que avisto ao longe, em uma estrada paralela a em que eu estava, um celtinha cor de burro quando foge (sei La se era meio azul ou meio esverdeado) parado porém roncando e acelerando o motor.

Na hora pensei, estão atolados porém, não diminui o ritmo e fui embora.

Como eu iria fazer os tiros sempre no mesmo trajeto, logo passei pelo carro novamente e aí ouvi o que temia.

Uma gordinha deus uns berros tentando chamar a minha atenção, como não queria interromper o tiro fiz que não ouvi.

O problema é que teria passar por ali novamente mais quatro vezes. E na volta do próximo tiro não tive como não me fazer ouvir, pois quando a gordinha berrou novamente estava de frente para ela.

 Eí, precisamos de ajuda. O carro atolou, disse ela.

Então sem diminuir o ritmo, respondi que tinha uma casa ali perto e elas podiam pedir ajuda lá.

Como você pode ver eu realmente não queria interromper o treino para ir empurrar um carro.

Porém aquilo estava me incomodando e no quinto tiro acabei indo ver se poderia ajudar.

Quando chego lá, e vejo a situação fiquei ainda mais indignado. Geralmente os carros atolam pelas rodas, certo?

Não desta vez, pois o carro atolou pelo assoalho.

O celtinha era rebaixado e ficou preso em um morro de terra, provavelmente aconteceu quando estavam tentando fazer o retorno e saíram um pouco pista.

Resultado que as rodas da frente quase não encostavam no chão, neste momento entendi porque a gordinha pulava sentada no capo enquanto a outra acelerava  adoidado.

Olhei aquela cena e pensei: puts, vai ter que rebocar ou arrumar alguma coisa para erguer o carro.

As, gurias já estavam desesperadas, a que estava na direção acelerava sem parar e a gordinha pulava desesperada no capo do carro.

Neste momento, tentei meio sem esperanças empurrar um pouco,   a piloto girou a direção para um lado e juntamente com os pulos da gordinha o carro saiu do lugar.

Então elas me agradeceram e depois desta rápida sessão de musculação fui embora  terminar o meu treino pensando:

O que duas gurias, vestidas como se tivessem saído de uma festa faziam naquela estrada do interior as 07 horas da matina?

Ps: há algum tempo depois elas cruzaram por mim numa velocidade que dava para quase caminhar ao lado do carro que de tão rebaixado ia arrastando as pedras um pouco maiores.

8) Ganhando dinheiro com a corrida

Já pensou em ganhar dinheiro correndo?

Capaz mesmo, estou muito longe dos corredores de elite. Pode você ter pensado.

E quem disse que eu sou corredor de elite? Assim como você não tenho como chegar a este nível.

E como eu ganho dinheiro correndo?

ganhar dinheiro correndo

Ganho através das moedinhas que encontro durante os treinos, você já encontrou dinheiro enquanto corria?

Não, então sugiro que você comece a olhar mais para o chão enquanto corre, pois eu seguidamente encontro moedinhas durante as minhas corridas.

Para você ter uma ideias nos últimos quatro meses achei R$4,35 durante os treinos. Um dia encontro 10 centavos, no outro 25, 50 e até um realzinho de vez enquanto.

Pode não ser muito, mas dizem que achar dinheiro na rua é sinal de sorte, então que continue assim. 🙂

O mais engraçado é que a maioria das moedas encontro em um cruzamento na saída da cidade, as vezes fico pensando será que aqui é um “Cruzamento dos Desejos” e o povo fica jogando aqui suas moedas para pedir coisas?

Vai saber, né?

9) Trabalhos espirituais

historia de corredores achar macumba Pensando aqui é impressionante como as estradas do interior, aparentemente tranquilas, podem nos surpreender e gerar boas histórias.

Outra prova disto são os  frequentes trabalhos espirituais(macumbas) que encontro nos cruzamentos e encruzilhadas dos meus trajetos de treino.

E olha que o povo leva a sério mesmo isto, já encontrei algumas oferendas que devem ter custado um bom dinheiro.

Alguns trabalhos além de velas coloridas, frutas e cachaça, tinham até mesmo champanhe das boas.

Não sei quais são os objetivos destes trabalhos, desde que não sejam prejudiciais a mim não me um porto muito.

Mas como precaução  de sempre procuro não passar muito perto, kkk.

Por hoje era isto amigo, estas são as minhas histórias de corredor.

De qual história você gostou mais?

Fique a vontade para dar a sua opinião e fazer também para contar alguma história de corredor interessante que você tenha presenciado.

Abraço bons treinos e até breve.

Quantas estrelas vale este artigo?

Compartilhe

One Comment

  1. Heheheheh!!

    São TODAS interessantes. Algumas me fazem lembrar de situações que eu mesmo vivi. Agora o que me tira do sério é essa quantidade de gente que se inscreve em corrida para passear… e faz QUESTÃO de começar lá na frente!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *